sexta-feira, 13 de maio de 2016

Construindo sentido no texto: organizado estrutural e processamento textual

Texto: é uma unidade linguística concreta, percebida pela audição (fala) ou pela a visão (escrita), que tem unidade de sentido e intencionalidade comunicativa. Entretanto como se pode notar os enunciados (as falas) não são o único elemento responsável pelo sentido da interação linguística, outros elementos também auxiliam na construção de sentidos como: papeis sociais, conhecimento de mundo, circunstâncias históricas ou  sociais em que se dá a comunicação etc.
            Quando se estabelece a comunicação as pessoas selecionam as palavras que irão constituir a mensagem, escolhe também qual vai ser a estrutura da mensagem. Por diversas vezes ouvimos a expressão: O texto falta coesão e coerência. O que significa.
Coesão textual: são as articulações gramaticais existentes entre palavras, orações, frases, parágrafos e partes menores de um texto que garantem sua conexões sequencial.
É feito por conectores ou operadores a discursivas, que são palavras ou expressões responsáveis pela criação de relações entre os segmentos do texto. São exemplos de operadores: então, portanto, já que, com, efeito, porque, ora, mas, assim, daí, dessa forma, isto é, etc. Poderá também estabelecer uma relação semântica (causa, finalidade, conclusão, contradição, condição, etc.).
Coerência textual: é o resultado da articulação das ideais de um texto; e a estruturação lógica e semântica que faz com que uma situação discursiva palavras e frases componham um todo significativo para os interlocutores.
Há também textos que se organizam por justaposição ou elipses e, mesmo assim, podem ser considera dos textos por seus leitores/ ouvintes, pois constituem uma unidade de sentidos.
Portanto a coesão auxilia no estabelecimento da coerência, mas não é algo necessário para que seja completo.
Existem diferentes níveis coerências, como por exemplo.
a)    Coerência narrativa: narrar, portanto, consiste em construir o conjunto de ações que constituem a história, o enredo, e relacionar essas ações ás personagens, seres que praticam atos ou sofrem os fatos.
b)    Coerência argumentativa: defesa do ponto de vista, à exposição dos fundamentos em que uma posição está baseada.
c)    Coerência espacial: refere-se à compatibilidade entre os enunciados do ponto de vista da localização no espaço.
d)    Coerência no nível de linguagem: é a compatibilidade, do ponto de vista da variante linguística, escolhida no nível do léxico e das estruturas sintáticas utilizadas no texto.
e)    Coerência intratextual: diz respeito ao que está contido no texto, não pode haver contradição.
f)     Coerência extratextual: algo que seja exterior e necessita ser adequado ao texto.
g)    Coerência figurativa: referente à utilização de figuras para representar um tema.
h)    Coerência temporal: respeitar as regras da sucessividade dos eventos ou apresenta uma compatibilidade entre os enunciados do texto, do ponto de vista da localização no tempo.

i)      Coerência descritiva: é utilizado para retratar pessoas, ambientes, objetos; tem como resultado a imagem física ou psicológica, frequente emprego de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem. 

terça-feira, 5 de abril de 2016

As três fases da Linguística Textual

A Teoria do Texto veio para estudar o que o Estruturalismo linguístico deixou de lado, sendo assim, a Linguística Textual estabeleci um novo destino da Linguística que começou a desenvolver-se na década de 60. Sua hipótese de trabalho reside em tomar como unidade básica, ou seja, como objeto de investigação, não mais a palavra ou a frase, mas sim o texto, por serem os testos a forma específica de manifestação da linguagem. Nessa concepção a Linguística Textual ultrapassa os limites da palavra e  frase e entende a linguagem como interação. Assim, justifica-se a necessidade de descrever e explicar a língua dentro de um contexto, considerando suas condições de uso.
A Teoria Textual pegou alguns dos aspectos mais relevantes que foram reprovados na tradição estruturalista e que serviram ponto de partida para o começo da Linguística textual, no sentido de serem obstáculos a serem superados foram:

  • ·         a delimitação da frase (e não do texto) como unidade máxima de análise
  • ·         a desimportância relegada ao texto e sua organização global
  • ·  a desconsideração da Fala (do texto falado) e seus aspectos funcionais e organizacionais
  • ·     e por fim a total desconsideração do sujeito (falante) e da situação comunicativa na análise linguística.


Na busca por alcançar as metas acima, a Teoria do Texto passou por três fases de desenvolvimento. Conforme visam Bentes, 2007; Indursky, 2006; e Koch, 2009; 2007; 2006, não houve um desenvolvimento exatamente homogêneo dessas três fases. Os estudos acerca do texto desenvolveram-se e ampliaram-se em diferentes países dentro e fora da Europa (destaque-se a produção norte-americana, germânica e anglo-saxã), mais ou menos à mesma época e com preocupações teóricas variadas.

Assim, é importante perceber que não houve precisamente uma sucessão cronológica na transposição de uma fase à outra. O que melhor caracteriza a mudança de uma fase para a outra é muito mais a ampliação e aprofundamento gradual dos estudos da Teoria do Texto, marcando cada vez mais fortemente o seu afastamento em relação à Linguística Estrutural. Cada nova fase busca superar os limites e insuficiências da fase anterior. Conforme descrevem Bentes, 2007; Indursky, 2006; Marcuschi, 1983 e Koch, 2009; 2007; 2006. 

ATENÇÃO!

É bom lembrar que apesar de não se poder levar em conta datas precisas quanto ao início e fim de cada uma das fases, é possível contextualizar aproximadamente (e superficialmente) a Fase Transfrástica na década de 1960, a Fase da Gramática Textual na década de 1970 e a Fase da Teoria do Texto a partir da década de 1980 até os dias de hoje.









1a Fase Transfrástica.

À análise transfrástica, que tem como finalidade explicar os fenômenos sintático-semânticos, ou seja, ela estuda as relações ocorrentes entre enunciados ou sequências de enunciados. A análise transfrástica ainda não considerava o texto como objeto de análise, ou seja, os estudos partiam da frase para o texto.

“na análise transfrástica, parte-se da frase para o texto. Exatamente por estarem preocupados com as relações que se estabelecem entre as frases e os períodos, de forma que construa uma unidade de sentido, os estudiosos perceberam a existência de fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou pelas teorias semânticas: o fenômeno da correferenciação, por exemplo, ultrapassa a fronteira da frase e só pode ser melhor compreendido no interior do texto.” (BENTES, 2007, p.247).


2a Fase da Gramática Textual.

Essa fase apoiou-se no propósito de gerar gramáticas textuais. Mesmo considerando-se já um bom desenvolvimento nas investigações da Teoria do Texto,
considerava-se ser o texto um sistema uniforme, sólido e impalpável e, nesse ponto, ainda se aproximavam um pouco da forma como o estruturalismo descrevia a língua (sistema uniforme, estável e abstrato). As gramáticas textuais refletiam acerca de fenômenos linguísticos não explicáveis por uma gramática da frase.

“Neste período, postulava-se o “texto” como uma unidade teórica formalmente construída, em oposição ao “discurso”, unidade funcional, comunicativa e intersubjetivamente construída.”  (BENTES, op.cit., p.249).


3a Fase da Teoria do Texto.

E na terceira fase, pode-se considerar o texto como evolutivo, uma vez que, percebe-se visivelmente o texto como processo e não como produto, na dimensão em que seus conceitos se evoluem, levando-se em consideração o texto e o contexto.

“investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso... [adquirindo] particular importância... [o] seu contexto pragmático [ou seja,] o conjunto de condições externas da produção, recepção e interpretação dos textos.” (BENTES, op.cit., p.251).

Vemos assim que, nessa perspectiva, a Teoria do Texto torna-se uma disciplina de caráter interdisciplinar, relacionando seus interesses com os de outras áreas do conhecimento que envolvem questões de linguagem e sociedade. Conforme Marcuschi (1998), a LT pode ser bem compreendida como “uma disciplina de caráter multidisciplinar, dinâmica, funcional e processual, considerando a língua como não-autônoma nem sob seu aspecto formal”. (MARCUSCHI,1998).


Assim como a Teoria do Texto ampliou-se ao decorrer das três fases, o conceito de Texto também evoluiu. 

quarta-feira, 23 de março de 2016

A Linguística Textual


Não descartando a importância da Linguística Estrutural, é necessário falar primeiro sobre as lacunas deixadas pelo Estruturalismo. Quais lacunas? Trata-se das insuficiências deixadas pela Linguística Estrutural, que motivaram as outras áreas de estudos da linguagem a tentarem suprir essa lacuna. Entre essas áreas de estudos, encontra-se a Linguística Textual. Em suma, estas são as mais importantes "faltas" observadas no Estruturalismo: 
  • a delimitação da frase (e não do texto) como unidade máxima de análise;
  • a falta de importância relegada ao texto e sua organização global;
  • a desconsideração da Fala (do texto falado) e seus aspectos funcionais e organizacionais;
  • e por fim a total desconsideração do sujeito (falante) e da situação comunicativa na análise linguística.
Esses aspectos acima, que caracterizam as lacunas do Estruturalismo, serviram de incentivo para os estudos do texto se direcionarem a:
  • ir além dos limites da frase;
  • reintegrar o sujeito e a situação sócio-comunicativa ao escopo de investigação teórica; e 
  • desenvolver e ampliar o estudo do texto em suas modalidades oral e escrita, a partir de sua organização estrutural, processamento cognitivo e funcionamento sócio-interacional.